Drakensang: The Dark Eye - PC
Categoria: RPG
Lançamento: 27/2/2009

Produtora: Radon Labs
Distribuidora: THQ

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7.3
PC
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Sumário
A FAVOR:
Grafismo honesto e bem trabalhado;
Muitas linhas de diálogos e conversas faladas;
História longa, com direito a dezenas de quests e sidequests;
Sistema de evolução de personagem é fiel às regras do RPG de mesa "The Dark Eye";
Trilha sonora bem produzida e convincente;
Ficha técnica dos personagens é repleta de atributos e bem detalhada.


CONTRA:
Alguns pequenos e perdoáveis glitches;
O relacionamento entre os personagens é curto e grosso;
Se movimentar de um pouco longínquo do mapa a outro às vezes é meio sacal.

VEREDITO:
Drakensang não inventa nenhuma roda, mas é exatamente do jeito que os fãs de Dark Eye queriam. Um game que utiliza todo um sistema fundamentado nas regras do famoso RPG alemão de mesa e que não se gaba apenas disso, trazendo na bagagem um grafismo agradável para os olhos de todos e música de qualidade. O título não é perfeito, mas cumpre todas as suas promessas e certamente vai surpreender aqueles que o experimentarem a sério. Não é à toa que uma continuação, ou melhor, um "prequel" já foi anunciado para 2010, e até lá muitas quests aguardam os jogadores nessa fantástica recriação de Aventuria para PC.
Review

De volta a Aventuria
Por Redação em 17/3/2009 14:00
Dungeons & Dragons pode ser o RPG de papel e caneta mais popular em vários países, mas não é o que acontece na Alemanha. Por anos, "role playing gamers" locais preferem Dark Eye, produto nacional que começou sua carreira de sucesso em 1984. Este mesmo produto deu vida a uma série de jogos para computador (PC e Amiga) nos anos 80 e 90, que alguns de vocês possivelmente conhecem como a série "Realms of Arkania". Gerações depois, Dark Eye é mais uma vez transportado para o vibrante e colorido mundo dos jogos de computador na forma de Drakensang: The Dark Eye, dessa vez pela não muito conhecida produtora Radon Labs. O título foi apresentado primeiramente aos alemães pela DTP Entertainment e não demorou nada para ele chamar a atenção de alguns predadores maiores como Eidos e THQ que lançaram-no no restante da Europa e EUA, respectivamente, alguns meses depois. Drakensang: The Dark Eye não foi muito marketeado, e talvez exatamente por isso tenha causado uma grata surpresa aos usuários de PC que tiveram a felicidade de conhece-lo mais a fundo.

Assim como tantos outros games do gênero no passado – e como Neverwinter Nights mais recentemente – Drakensang: The Dark Eye respeita fielmente as regras criadas pelo produto que o originou. Isso inclui atributos dos personagens, seus talentos, classes, magia, e mais. A ficha de um personagem nesse game é tão completa e complexa quanto o próprio Dark Eye físico. Um ilusionista não é apenas aquele cara de turbante com um bastão na mão e algumas habilidades mágicas na manga. Ele é o que é porque tem mais pontos de magia que outros, porque tem mais pontos astrais (coisa que um guerreiro sequer tem), porque é mais resistente à magia e porque sabe muitos feitiços. O mesmo vale para uma amazona. Se sua afinidade com magia é quase nula, sua espada e sua força física falam por ela. A ficha de cada personagem possui, além de uma coluna com todos esses atributos mencionados, mais cinco abas que mostram tudo que ele sabe, pode fazer e suas habilidades, também representadas meramente por números. Se ele tem 8 ou 9 de espreita, pode se dar bem como ladrão. Se ele tem 7 de desarme de armadilhas, então ele deve ser colocado à frente no grupo. Esse tipo de detalhe só é comum em RPGs de mesa, e em jogos baseados neles, como é o caso de Drakensang: The Dark Eye.

No início da aventura, o jogador escolhe quem será seu protagonista. As opções são bem variadas, indo de raças diferentes, como Middlerealmian, Tulamide e Thornwalian, caso você escolha um humano, cada um com suas próprias culturas. Cada uma dessas raças também possui três classes distintas. Entre os Tulamides, por exemplo, estão o alquimista, o elementalista, e o metamago. O jogador pode escolher entre anões, elfos, mercenários, ladrões, guerreiros, arqueiros, enfim, provavelmente deverá haver uma profissão que o agrade. Também é possível escolher gênero – exceto para os anões.
Uma pena que não possamos alterar sua fisionomia, que já vem predefinida. No máximo os jogadores podem escolher o sexo e entrar no Expert Mode para modificar levemente alguns atributos (não todos), tirando pontos de uns e colocando em outros. A liberdade não é muito grande, mas ao menos não complica a vida dos aventureiros de primeira viagem, e também impede que construamos um personagem com alguma característica exagerada.

Drakensang: The Dark Eye nada mais é que uma grande representação visual do RPG Dark Eye. As regras da versão "papel e caneta" estão na programação do jogo, desde a escolha do personagem à sua evolução, magias e habilidades. É um RPG das antigas mesmo, do tipo que não deixa um personagem usar determinada arma se ele não tiver habilidade suficiente, mesmo que a tal arma seja quase idêntica à sua atual – para isso ele deverá melhorar certos atributos. A sorte é visível na hora de averiguar se uma determinada ação foi bem sucedida ou não, exatamente como se estivéssemos jogando um dado (de seis faces, que é a referência do jogo) e realizando um "Teste de Talento". Se seu personagem possui habilidade de abrir fechaduras de baús, por exemplo, ele poderá fazê-lo na primeira ou décima vez que tentar, dependendo da sorte e de seu nível de habilidade. O mesmo vale para absolutamente tudo dentro do jogo e embora isso também ocorra em RPGs convencionais não baseados em nada do tipo, há em Drakensang: The Dark Eye referências visíveis dos RPGs de mesa. A força de uma dada arma, por exemplo, é definida através de uma equação do tipo "1D+2", onde D é o valor que se tira no dado (virtual e invisível), e o dano causado é a diferença entre esse valor e a defesa da criatura. Claro, há outros valores a serem levados em consideração, mas aí está a grande vantagem de termos um sistema todo pronto para fazer todas as contas sem perdermos tanto tempo com rabiscos e calculadora. Drakensang: The Dark Eye é um fiel seguidor desse gênero e perfeito para quem gosta das milhares de variantes possíveis nos RPGs de papel e caneta.

Em Drakensang: The Dark Eye, o jogador poderá viajar sozinho com seu personagem ou arrumar aliados temporários, que o acompanharão e ajudarão no caminho. As habilidades de Rhulana e Dranor, os dois primeiros companheiros, por exemplo, serão fundamentais para a resolução de várias quests, incluindo as que requerem surrupiar objetos alheios. Realizar essas missões é de certa forma fácil, pois o ponto-destino fica marcado no mapa, e dessa forma não é possível simplesmente ficar perdido no game. Muitas missões pedem que o jogador realize vários pequenos objetivos, e muitas vezes levam a outras quests. Basicamente, o jogador passará uma considerável parte do jogo fazendo essas buscas.

A história do título independe do protagonista que você escolher e as conversas com NPCs seguem o mesmo rumo visto que as linhas de diálogo não mudam e a trama é a mesma. A convite de um velho amigo, o jogador deverá viajar até Ferdok, uma grande cidade onde misteriosos assassinatos vem acontecendo. Depois de algumas horas, o protagonista ficará encarregado de desvendar esse mistério, e isso será o início de uma grande trama que merece certo respeito por suas mais de mil páginas, segundo a produtora. A história vai se desenrolando aos poucos conforme o jogador realiza a investigação e descobre indícios de uma misteriosa conspiração no Principado de Kosh. Não vamos entrar em detalhes para não estragar a surpresa de quem for jogar, mas citando apenas o que está descrito na página oficial, há até o envolvimento da Igreja de Hesinde. Há qualidade no enredo criado para o jogo, e parece que o trabalho em conjunto com os autores originais da saga em papel e caneta de "Das schwarze Auge" (The Dark Eye) surtiu grande efeito. E eles até se lembraram de colocar um toque de humor em algumas partes do script.

Mas até chegar a ponto de saber mais ou menos o que está acontecendo, como em qualquer bom RPG, seu grupo poderá e/ou deverá participar de uma série de quests pelo caminho. Dezenas de NPCs pedirão favores e serviços, alguns deles ligados à história e necessários para o prosseguimento da mesma, outros completamente paralelos que renderão alguma grana e, principalmente, pontos de aventura. Assim como os pontos de experiência, que ajudam o seu personagem a avançar de nível e melhorar automaticamente seus atributos após os combates, os pontos de aventura podem ser usados para melhorar manualmente determinadas características. Pode-se, por exemplo, dar ênfase às habilidades de ladrão, melhorando os atributos "stealth" e "lock picker", ou querer que ele seja um mago melhor, um guerreiro melhor, alterando força, destreza, etc. Para poder alterar determinados números, porém, aquele personagem deve aprender respectivos ofícios. Se alguém deseja criar armadilhas, fazer remédios ou forjar suas próprias armas, não basta ter um manual de como fazê-las, tampouco os itens corretos: é preciso ter esses talentos. E para isso, é fundamental que os jogadores conversem com os NPCs, pois eles lhes ensinarão tais técnicas, tudo por um módico preço. Tudo no game é relativamente caro, pois o dinheiro que se ganha com os espólios dos monstros é pouco, e será necessário realizar muitos combates e missões para poder ter grana suficiente para essas coisas. Tudo isso acima mostra como os componentes da gameplay do título estão fortemente atrelados uns aos outros, o que é um incentivo e tanto para conhecermos a fundo todos os pontos que esse título oferece. Tenham certeza de uma coisa: há muito para se fazer nesse game, e o título possui uma longevidade fantástica.

O sistema de combate de Drakensang: The Dark Eye é explicitamente por turno, e repleto de idiossincrasias. Quando um inimigo entra no campo de ação, o game pausa, permitindo que o jogador designe ações para cada integrante do grupo (magia, habilidade, ataque). Uma vez retomado o game, os inimigos escolhem quem vão atacar, e seus personagens também se aproximam dos seus respectivos alvos. Nesse ponto, ocorrem dois simples turnos: os dos inimigos, que atacam todos juntos, e o seu, quando todos realizam as ações ao mesmo tempo. Existem algumas ações que levam mais tempo para serem executadas, principalmente magias, e algumas possuem campos de ação distintos magias e flechas podem ser usadas de longe, por exemplo. Para facilitar, algumas ações podem ser designadas em atalhos que podem ser acessados pelos números. Durante os combates muita coisa pode acontecer, como um personagem receber um "ferimento", o que diminui suas habilidades e pode ser fatal caso ele receba quatro. Se todos estiverem fora de combate, o jogo termina. Se ainda houver um vivo, os outros automaticamente se levantam depois de um tempo, mas precisarão serem curados de suas feridas. Nos corpos dos inimigos derrotados os jogadores podem coletar os espólios e, em caso de criaturas não-humanas, tentar ainda retirar outros itens de interesse como couro, dentes, e muito mais. Estes são apenas alguns exemplos das possibilidades existentes em Drakensang: The Dark Eye, e o combate lembra bastante outros jogos do gênero e alguns MMOs.

A parte visual de Drakensang: The Dark Eye surpreende, não por ser tecnicamente avançada - visto que não chega a tanto -, mas por vir de uma produtora não muito conhecida que definitivamente não poupou esmero em seu game. Os cenários presentes nas cidades do game são fantásticos e fascinantes, com direito a árvores e gramas se mexendo de maneira crível ao sabor do vento, efeitos de poeira com folhas e dentes de leão voando, e construções com design aconchegante e caprichado. Há carroças, barris, baús, caravanas, casas de madeira, vilas, cidades grandes, castelos, igrejas, cavernas, florestas, montanhas, riachos, calabouços enfim, tudo que se espera de uma autêntica aventura medieval, e tudo muito bem feito, diga-se de passagem. O game usa texturas em boa resolução, o que garante mais credibilidade também aos personagens, que por sua vez têm um design bastante interessante, legal em algumas partes e satisfatório em outras. Os modelos são bem feitos, e isso pode ser verificado quando eles estão com e sem roupa. Os inimigos também estão acima da média, e o único ponto que realmente achamos que merecia um pouco mais de cuidado foi no departamento de animação, mas nada que comprometa - nas cut-scenes, os personagens fazem movimentos repetitivos e às vezes exagerados.

Drakensang: The Dark Eye também surpreende na parte de som, onde temos uma trilha sonora orquestrada bem deliciosa e pacífica durante os momentos de calmaria. Temas mais tenebrosos indicando perigo iminente são ouvidos quando estamos em florestas escuras e calabouços. Mas a qualidade de tudo que se ouve em termos musicais é indiscutível. O game também vem repleto de linhas dubladas, pelo menos no caso dos outros personagens e vários NPCs, já que seu personagem não tem voz – embora converse normalmente com todos.

Apesar de tantas qualidades, nem tudo é perfeito em Drakensang: The Dark Eye. Para quem gosta de histórias com personagens cativantes, esqueça. Muitos dos relacionamentos são curtos e grossos, e os personagens se ajudam basicamente porque há interesse de ambas as partes. Eles não são amigos de longa de data, nem vão desenvolver uma relação muito próxima com o protagonista. Mas isso é típico desse tipo de RPG, e não deve atrapalhar os que já estão acostumados nem no desenrolar da trama. Quando clicamos em qualquer ponto do cenário na tela, os personagens se movem de maneira inteligente, desviando-se de objetos eficientemente. Mas um ponto que nos importunou foi a falta de uma opção para nos ou movermos mais rapidamente ou automaticamente, visto que às vezes viajar de um ponto do mapa para outro leva um bom tempo.

Drakensang: The Dark Eye não inventa nenhuma roda, mas é exatamente do jeito que os fãs de Dark Eye queriam. Um game que utiliza todo um sistema fundamentado nas regras do famoso RPG alemão de mesa e que não se gaba apenas disso, trazendo na bagagem um grafismo agradável para os olhos de todos e música de qualidade. O título não é perfeito, mas cumpre todas as suas promessas e certamente vai surpreender aqueles que o experimentarem a sério. Não é à toa que uma continuação, ou melhor, um "prequel" já foi anunciado para 2010, e até lá muitas quests aguardam os jogadores nessa fantástica recriação de Aventuria para PC.


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